01 Dezembro 2009

" A saudade é a memória do coração."

(Coelho Neto)

23 Novembro 2009

Notícias de Cuiabá...

Os meus primeiros dias em Cuiabá-MT foram, como seria esperado, momentos de adaptação. Mas, uma coisa curiosa está no fato de ser essa, talvez, a minha quarta ou quinta experiência em uma cidade nova. Isso chega a ser engraçado, uma vez que, em alguma medida, tenho prática em aprender a viver num lugar desconhecido.



Lembro da minha chegada em São Paulo, em Ouro Preto, no Rio de Janeiro, em Vitória e, mui especialmente, a minha volta para Conquista no último ano.



Tenho muitas dificuldades com mudanças, talvez por isso Deus “promova” tantas em minha vida, essa, certamente, é uma das minhas cruzes. No meu sonho idílico... estaria no sertão da Bahia em uma casa de campo... compondo a minha “filosofia rural”! No entanto, estou sempre “perto” das capitais.



As duas coisas que mais me incomodaram em Cuiabá, nestes primeiros dias, são o calor (e aqui calor não é figura de linguagem) e o custo de vida muito alto para os padrões de um professor substituto que ainda não recebeu seu primeiro salário...



Das alegrias, e podem parecer pequenas, divido em duas partes. As que a cidade oferece e as que pessoalmente estou envolvido.



Cuiabá é uma capital de estado dos confins do país e por isso tem um desejo de cosmopolitismo. Então, aqui algumas coisas acontecem mesmo, para justificar esse “ideal”. Além disso, a UFMT, onde trabalho, está no centro de grande parte do “movimento cultural” da cidade e do estado. Por tanto, as coisas costumam acontecer por aqui...



Nestes dias que estou aqui, já assisti a concertos, participei de algumas sessões de cine-clubes (no plural mesmo) de filmes europeus, show de música francesa e de música instrumental, um concerto da Orquestra de Câmara do departamento de Artes etc. Isso, em alguma medida, só acontece por conta de uma tentativa local de, digamos assim, “ser gente”... participar de modo efetivo do “mundo”! Não posso negar que, apesar de uma coisa ou outra, gosto disso. Não é a toa que meu destino preferido no Brasil para “passear” seja São Paulo!



Por outro lado, o fato de voltar a dar aula num ambiente realmente universitário com um curso de filosofia (e a perspectiva de dar aula nesse curso) consiste em uma alegria para mim. Logicamente que num departamento de filosofia não está instalado a republica dos filósofos sonhada por Platão e, muito provavelmente, as relações são mais tensas que deveriam, mas, ter pessoas que entendem imediatamente as piadas filosóficas.. . já é, em si, divertido. Além disso, a convivência com meu compadre Ricardo que é, entre outras coisas, a possibilidade de falar de filosofia e futebol numa mesma frase, conserva o sabor e a beleza de minhas amizades de "sempre". Nesta cidade, diferentemente de outras cidades que morei, tenho “família”, não a sangüínea e do coração, como na Bahia, mas a do coração que Ricardo, Ivy, Sofia e meu afilhado Heitor Araújo significam.



Aqui posso viver a minha catolicidade de uma maneira boa também, especialmente, pelo convívio com o Padre Paulo Ricardo. De quem me aproximei desde quando vim aqui para fazer a seleção para professor substituto.



Mudanças e adaptações. Amizades e descobertas. .. parece ser esse um pouco do meu destino, pelo menos, até agora. E a experiência de Cuiabá, pelo menos até aqui, afora o colar quase enlouquecedor, tem sido algo aprazível. Queira Deus que permaneça assim...

30 Outubro 2009

Mudanças




Amanhã, parto do sertão da Bahia para trabalhar como professor em Cuiabá-MT.

Novas mudanças na vida de uma pessoa que não gosta de mudanças (nem de aventuras, apesar da foto acima)!

Especialmente, neste momento, gostaria muito de continuar na minha cidade natal e com a vida besta daqui, mas como não posso lutar contra a realidade das minhas dificuldades profissionais atuais... parto para outras aventuras na certeza de que a Vontade de Deus deve prevalecer sempre na minha vida.

Que Nossa Senhora Aparecida, minha carinhosa Mãe do Céu, rogue a Deus pela minha família e por mim!

21 Outubro 2009

Sou mais uma vítima do Twitter!rs

http://twitter.com/eltonquadros

16 Outubro 2009

Coisas que me impressionam

Uma das coisas que mais me impressionam nestes nossos tempos modernos - é como as pessoas tratam a Igreja com um distanciamento.

Tenho para mim que quando alguém fala "mal" da mãe de alguém (sua mãe é autoritária, já ferrou com a vida de muita gente, etc) o sujeito reage na hora. Se falar "mal" do time de futebol dele, Vixe Maria, é capaz até de brigar... mas, quando o ataque é feito à Igreja, bom, a Igreja não é assim importante. Acusar a Igreja de autoritária, “ah, tranquilo”... dizer que a Igreja prejudica, mata... é cínica... “que é isso, não sejamos como eles... não somos fanáticos”...

Quando Jesus viu o templo sendo profanado, desrespeitado... Pegou do chicote.

Triste um tempo em que a mãe e até o time de futebol é mais pessoal que a Igreja. Triste o tempo em que a Igreja que nos leva ao Salvador e à Salvação não é defendida com um ardor pessoal.

10 Outubro 2009

CANONIZAÇÃO BEATO RAFAEL ARNÁIZ




Neste domingo, dia 11 de outubro, o Papa Bento XVI canonizará 5 beatos, ou seja, a Igreja terá mais cinco santos. Entre eles, está um que atrai a minha atenção há algum tempo.

Como muitos sabem, tenho uma espiritualidade, digamos assim, beneditina. E, por isso, admiro muito também os Trapistas e Cartuxos.

E São Rafael Arnaiz Baron, é um "religioso da Ordem Cisterciense de Estreita Observância, considerado um dos grandes místicos do século XX".

Postarei aqui abaixo um texto de do Abade de San Isidro de Dueñas, Dom Enrique Trigueros sobre a canonização:

CANONIZAÇÃO BEATO RAFAEL ARNÁIZ

Parte I

Em outras ocasiões já manifestei minha admiração e minha surpresa por este jovem de 26 de anos que, com uma experiência tão curta da vida monástica, pôde ter uma experiência de Deus tão profunda, e o dom tão grande que lhe concedeu o Senhor ao dar-lhe uma pluma tão fácil e tão fecunda para expressar tudo o que viveu no fundo de seu coração e que hoje edifica a tantas almas. Ninguém pode duvidar de sua facilidade para escrever, e sobretudo para expressar sua experiência de Deus. Quando começa a escrever seu caderno intitulado "Meditações de um trapista", ele mesmo nos escreve:

"Começo este caderno onde pretendo deixar algo da muita eloquência que o Senhor me deu. Efetivamente, não há momento em que tendo a pluma em minhas mãos, não se me ocorra algo que dizer, algo que contar”.

Hoje podemos agradecer a essa divina eloquência que o Senhor lhe concedeu nas mais de 900 páginas que ocupam seus escritos nas "Obras Completas", e que nos transmitem de modo inigualável sua experiência de Deus, que junto com a devoção tão intensa que professou à Santíssima Virgem, e o modo como aceitou a enfermidade e os sofrimentos que acarretaram, serão sem dúvida os aspectos principais de sua espiritualidade.

Quando quer expressar seus sentimentos e sua vivência de Deus, o que primeiro lhe sai do fundo do coração é a exclamação: Que grande é Deus! Quando vê o mundo que lhe rodeia, as criaturas, obras de Deus, suas fraquezas, seus esforços no trabalho, quando no silêncio dos claustros espera com fé e com rosto sereno a que o Senhor lhe chame, e quando por último se vai ocultando o sol e acabando o dia e se prostra aos pés de Maria, só pode exclamar: Que grande é Deus!

E esse Deus é tão grande que sacia plenamente as ânsias de céu do monge, como tantas vezes o expressará Rafael: "O mundo diz ao monge: estás louco, deixas tudo e achas teu contentamento em nada. Mas o monge diz ao mundo: não é assim, mas tudo ao contrário... deixo o que é nada, para ter tudo. É verdade que aqui nada tenho, nem ao menos vontade, nem liberdade, mas tenho em troca a Deus, a esse Deus que tu não podes me dar".

Parte II

A esse Deus que o mundo não lhe podia dar, Rafael o buscará com paixão e, nessa busca apaixonada, pouco a pouco se lhe irá revelando: "Busca o Coração de Deus, que esse é insondável. Funde-te nele e não olhes nem busques outra coisa", dirá ele à Duquesa de Maqueda, "Só em Deus encontro o que busco... Busquei a 'Verdade' e não a achei. Busquei a 'caridade' e só vi faíscas nos homens... Busquei a paz e vi que não há paz na terra... Que buscas entre os homens, me diz? Que buscas na terra em que és peregrino?" diz em suas notas de consciência.

E esse Deus, que com tanta sinceridade buscava, ele chegará a encontrar com toda verdade, através da purificação que será para ele a enfermidade. Ele O reconhece e assim o manifestará em carta a Dom Félix Alonso:

"Eu buscava a Deus, mas também buscava às criaturas e me buscava a mim mesmo, e Deus me quer para Ele só... Minha vocação era de Deus e é de Deus, mas havia que purificá-la, havia que limar asperezas. Me dei ao Senhor com generosidade mas todavia não Lhe dei tudo; Lhe dei minha pessoa, minha alma, minha carreira, minha família, mas ainda faltava uma coisa, que eram as ilusões e os desejos, as esperanças de ser trapista, fazer meus votos e cantar Missa. Isso me sustentava na Trapa, mas Deus quer mais, quer sempre mais; tinha que "transformar-me", queria que somente seu amor me bastasse".

E essa transformação lhe foi chegando às mãos pela enfermidade, através da qual chegou à plenitude da busca de Deus encontrando-o pouco a pouco em todos os seus atributos. Certamente que no amor e na caridade será onde mais se deterá e sobre o que escreverá páginas belíssimas, mas também nos falará do temor de Deus e de sua misericórdia, abnegação e mansidão, de sua sabedoria e sua Providência..., tantos aspectos de sua intimidade com Deus, que é impossível recordar todos.

Mas sua experiência transformante em Deus, a descreveu em uma página altamente poética, em "Meu caderno", na meditação que intitula "Só Deus e eu". Quero terminar com esta bela página:

"Só Deus e eu"

“Mosteiro de homens..., casa de um dia. Monges penitentes..., aves que voam cantando. Flores e espinhos. Prantos e cruzes. Ventos e gelos. Hinos de alegria.

Momentos de angustia. Campainha, incenso... Tudo o que vibra, tudo o que rodeia a alma na vida... tudo é flor de um dia, que agora vem e logo se vai. Nada interessa à alma que não seja Cristo, nada a comove que não seja Deus, e esconde muito fundo, suas ânsias, suas penas, suas cruzes, seu amor.

No Mosteiro passam-se os dias... Que importa?... Só Deus e eu.

Vivo ainda na terra, rodeado de homens... Que importa?... Só Deus e eu.

E ao olhar o mundo, não vejo grandezas, não vejo misérias, não vejo as névoas, não distingo o solo... O mundo inteiro se reduz a um ponto; no ponto, há um Mosteiro, e no Mosteiro, só Deus e eu”.

Fonte: http://rafaelarnaiz.blogspot.com/


Rafael Arnáiz, rogai por nós!