Vendo os comentários sobre a Carta Encíclica Caritas in Veritate de pessoas que admiro, especialmente, por seu pensamento na questão econômica ou política ou mesmo filosófica... percebo que, a maioria desses comentários são críticos e afirmam estar o Papa Bento XVI, indicando o governo global como a "solução" para os problemas do mundo.
Eu, do alto de minha pequenez, desconfio que entendi realmente errado a Encíclica.
Primeiro, o Papa Bento XVI não pretende indicar caminhos, digamos assim, políticos para o mundo... seu interesse, para mim, está muito mais em indicar os princípios pelos quais a política e a economia devam ser guiadas: subsidiariedade, solidariedade, ética e, principalmente, no caso dos católicos a Trindade Una e Santa.
Segundo, e aqui, o alvo das maiores críticas (à direita) a Encíclica, o que venho chamando do - famigerado parágrafo 67. Parece que todos vêem, nesse parágrafo, a afirmação do Papa por um governo mundial. Eu, como mau leitor que devo ser, não consigo ficar preso a esse parágrafo prefiro (e suspeito que aqui está o meu erro) ler esse trecho no contexto do capítulo em que o Papa Bento indica vários problemas com relação à solidariedade e a ajuda aos pobres no mundo e, segundo me parece, indica a possibilidade, de neste mundo globalizado, independente da vontade do Sumo Pontífice, uma Autoridade política mundial que esteja interessada na organização e direcionamento dos recursos abundantes (e que, muitas vezes, como avisa o Papa, ficam perdidos nas burocracias tão dispendiosas e ineficientes... e quiçá, corruptas) para o auxílio aos pobres.
Esse governo mundial da solidariedade, como tenho chamado, deve partir da subsidiariedade e observar que, em muitos casos, em um mesmo país realidades distintas estão unidas: países ricos com pessoas na miséria e países pobres com alguns na riqueza, muitas vezes, esse ricos (de ambos os países) estão muito mais interessados em um hedonismo egoístico e, mais uma vez, me parece, que aos olhos do Papa, se temos os olhos fitos no Cristo, esse comportamento está muito distante de um comportamento ético, até mesmo, para todo e qualquer homem de boa vontade, ou seja, se para um cristão isso é impensável, o Papa também considera isso, desumano, em qualquer sentido.
Bom, na esteira das suspeitas, ainda fico pensando que, muitas pessoas, pensam que após criticar o risco de um governo mundial em vários momentos, o Papa Bento XVI, o antigo intransigente cardeal Ratzinger que, levou pancada a vida toda de todos, para uns, por não ser tão liberal ou esquerdistas ou moderno... por outros, por ser o Rottweiler de Deus, por ser tão conservador, por ser tão "medieval" iria, agora, em que chegou ao ápice da vida de um sacerdote católico, buscar a tranquilidade das opiniões correntes e politicamente corretas?
Outra suspeita que tenho, ao ler os tantos textos críticos à Encíclica é que, ao fim e ao cabo, poucos dos críticos conhecem a Doutrina Social da Igreja, por isso, deveriam começar as considerações por ela e, quem sabe, pela Gaudes et Spes (especialmente, o capítulo V A PROMOÇÃO DA PAZ E A COMUNIDADE INTERNACIONAL), ou será que esses críticos não sabem que o Papa Bento XVI é membro da Igreja que escreveu a Doutrina Social e realizou o Concílio Vaticano II?
Tenho outras suspeitas e, espero ler a Caritas in Veritate diretamente no papel e, talvez aí, eu descubra como sou um péssimo leitor... até lá, fico com minhas suspeitas...
12 Julho 2009
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2 comentários:
Ok, haja alguém tão pequenino quanto eu! Eu achava que era caso único na blogosfera católica...
Também analisei a encíclica tal como vc!
Um abraço
Passei por aqui.
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