22 Setembro 2009
Zelaya na embaixada do Brasil em Honduras
E aos nacionalistas de Copa do Mundo... bem, deixa para lá. O Corção já disse tudo no texto abaixo.
Que Deus nos ajude e, especialmente, ajude os hondurenhos para que não haja um banho de sangue patrocidado por Lula e sua política internacional tresloucada.
12 Setembro 2009
07 Setembro 2009
Reflexões para o dia da Pátria - um texto de Gustavo Corção

Neste dia da Pátria, um texto escrito por Gustavo Corção em 21 de janeiro de 1960 e que pode servi para uma reflexão verdadeira sobre o patriotismo e a nossa relação com o Brasil. Inclusive, esse texto foi publicado no livro Nacionalismo e Patriotismo.
Boa leitura e boa reflexão!
A ESPERANÇA NO BRASIL
Já observei que nos lugares onde se discutem os problemas do Brasil, e onde se comentam os mais graves desatinos e os mais estridentes escândalos, é invariável costume da maior parte dos homens de responsabilidade arrematar o rol de crônicas calamitosas com esta sentença que cobre todos os pecados da República: “Mas eu creio no futuro do Brasil". Todos crêem no futuro e no glorioso destino desta terra, ainda que os sinais de que dispõem, no presente, sejam de natureza a induzir outros sentimentos. Todos crêem, ou dizem crer, porque parece estabelecido, parece universalmente admitido que seria pecado cívico não crer ou declarar suas apreensões com base nos sinais fornecidos abundantemente pelo noticiário. Já ouvi este acorde final nos lugares em que se reúnem homens conspícuos e responsáveis, e onde esses homens, por diferenças de raça espiritual, de orientação, de filosofia, divergem asperamente em torno da direção que segue a coisa pública! Na hora da distenção dos nervos, da pancadinha no ombro, do arremate da cordialidade esgarçada, lá vem a jaculatória cívica: "Creio nos destinos do Brasil".
Até ontem, antes de por em ordem estas idéias, eu sentia, um mal-estar enorme por me julgar mau patriota, porque não achava em mim convicção para pronunciar com os outros a fórmula sacramental, e não a achando não a pronunciava, e não a pronunciando ficava com aquele peso de culpa indefinida que às vezes é mais incômodo do que a carga de uma culpa nítida. Ontem livrei-me do complexo quando observei que são os patifes que usam com maior galhardia aquela espécie de esperança nacional, e que foram eles que espalharam a insidiosa doutrina que diviniza a Pátria e que aproxima a esperança nacional da Esperança teologal infusa, que não pode ser ferida sem gravíssimo pecado.
O bom-senso já me dizia que uma Pátria, como já tem acontecido com muitas pelos séculos da história, pode dar com os burros n’água. É claro que o chão, a base territorial, os rios, e as cordilheiras ficam: mas a pátria, se por tal coisa se entende um conjunto histórico com tais e quais tradições orientado para tais e quais missões no mundo, se por Pátria entendemos mais este aglomerado afetivo e moral dotado de certas características que visam a ser a glória e a beleza do conjunto da espécie humana, então pode perfeitamente acontecer que uma Pátria desapareça, ou se querem uma imagem mais brutal, pode acontecer que uma Pátria tombe assassinada numa esquina do tempo. Em cima de seu território os homens que a assassinaram continuarão o viver, a' falar, a gesticular, a produzir. Poderão até progredir na arte de fazer foguetes. Poderão construir usinas hidrelétricas mais possantes que a Pátria assassinada até então construíra.
Com o tempo, em cima do mesmo território antigo, mudam-se os costumes, morre o último vestígio da piedade com que naquela terra ainda se reverenciava o Rei do universo, e por fim substitui-se a língua. As Pátrias morrem, de esgotamento natural ou de maus tratos de seus filhos. Morrem e não têm alma imortal corno o mais humilde de seus filhos. Sob este ponto de vista com os critérios da eternidade, a história é um sopro e os grandes dramas
Por que será que inventaram essa Esperança Nacional com ares de Esperança Teologal? E por que será que são justamente os que malbaratam os recursos pátrios que mais enfaticamente declamam sua fé cívica? A razão, leitor, é extremamente simples. Escorados nessa grande e indefectível esperança nos gloriosos destinos do Brasil, eles podem fazer o que quiserem sem perigo de falha de tão alevantado objetivo. Podem roubar em Brasília e no resto do Brasil, podem entregar o dinheiro da Legião Brasileira de Assistência aos bancos dos cunhados do Presidente da República, podem roubar no trigo a ponto de escandalizar o próprio ministro do sr. Leonel Brizola, podem mandar
Ao contrário disto, os que não têm confiança inabalável e incondicional nos gloriosos destinos da Pátria, esses tratarão de trabalhar, de fazer força, de cumprir o dever, de denunciar os escândalos, tudo isto com o objetivo patriótico de trazer uma contribuição para a glória e para a riqueza do Brasil.O curioso, meus amigos, é que nos chamem de derrotistas e de pessimistas! O fato de acharmos ser preciso trabalhar e vigiar para um dia sermos grandes é apontado como derrotismo mórbido pelos que clamam incondicional confiança nos destinos da Pátria, e desde já sacam por conta sua grossa parte da glória e da riqueza.
Espero que desta vez o leitor entenda bem o pensamento de um pobre escriba que se cansa de dizer, como o hino francês, que a Pátria está em perigo.
